Do New Soul do francês
Ben L'Oncle Soul para o Black Semba de
Magary Lord.
Não é de hoje que a música baiana clama por renovação. Nas últimas duas décadas e meia, aproximadamente, o Estado assiste ao domínio aparentemente inabalável da Axé Music e do Pagode. Há quem goste e não há nenhum problema nisso. Mas com tanto tempo de um quase monopólio, o que era novo e inflamável acabou se tornando monótono. A cena musical foi tomada por um marasmo sem fim.
O nariz-de-cera dramático acima serviu apenas para contextualizar o momento em que surgiu a indicação de hoje. E digo "surgiu" querendo dizer "apareceu para o grande público". Isso porque Magary Lord, nome mais que artístico do soteropolitano Francisco Pereira Chagas, 35 anos, não resolveu ser músico em 2011, quando estorou na capital baiana. Sua carreira começou timidamente em 1994, com a banda Suingue e Sedução, criada para tocar no bairro onde morava, na periferia de Salvador, nos intervalos dos jogos do Brasil na Copa.
Percussionista, ele entrou na Oficina de Investigação Musical do mestre da percussão Bira Reis, no Pelourinho, e se aprofundou em ritmos afro-brasileiros. A trajetória musical passou pelo grupo de samba partido alto "Caldo da Iaiá" e pela "Válvula D'Scape", que peregrinaram por bares e casas de shows de Salvador. Em 2007, ele começou a colocar em prática a mistura que o tornou conhecido e até revolucionário no meio musical da Bahia. Juntou o estilo musical angolano Semba - palavra que significa umbigada em quimbundo, língua de Angola -, o samba do Recôncavo baiano e várias vertentes da Black Music. Estava criado o Black Semba, novo ritmo que figura no primeiro álbum do artista, "Magary Black Semba Bahia", gravado em 2007.
Nessa época, Magary conheceu conheceu o cantor e compositor carioca Seu Jorge, que gravou a música "Pessoal Particular", composta pelos dois, por Peu Meurray e por Leonardo Reis, no DVD "América Brasil". O sucesso estava mais perto e, na Bahia, ganhou forma depois que o cantor Saulo Fernandes, da Banda Eva, gravou "Circulô", de Magary, que virou sucesso no Carnaval de 2011. Foi neste ano que Magary Lord ganhou brilho próprio, começou a fazer shows cada vez mais lotados e participar de apresentações de vários artistas baianos. Músicas como "Joelho" e "Inventando Moda" já estão na boca do povo em Salvador.

Em 2011, ele fincou o pé no meio musical baiano lançando o álbum "Escutando Magary" e gravando um DVD no histórico Teatro Vila Velha, em Salvador. Começou 2012 em grande estilo, como uma das atrações do réveillon do Farol da Barra, que reuniu mais de 500 mil pessoas. No Carnaval deste ano, desfilará em um trio elétrico independente só de Black Semba. O estilo dançante e embevecido nas raízes africanas já rendeu elogios de peso, como o de, ninguém mais, ninguém menos, Caetano Veloso. Esta semana, ele foi a um show de Magary com a apresentadora Regina Casé e o ator Luís Fernando Guimarães e declarou: "Que noite maravilhosa! Curti muito, dancei bastante e estou feliz em ver essa renovação da música baiana conduzida com essa vibração toda. Eu estava curioso pra conhecer o som de Magary". Tá bom, ou quer mais?
Magary Lord canta com a filha Kalinde na gravação do DVD no Teatro Vila Velha:
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